Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Sozinha em meio a tanta gente, perdida na escuridão. Clichês que expressam perfeitamente meu estado de espírito.
Não tenho nada mais a não ser uma lata de cerveja, caneta e um papel à mão para que eu possa tentar expressar toda a minha solidão.
Nem o céu me faz companhia, pois se esconde entre as nuvens. Em casa muito barulho, mas não há espaço para a minha voz. Tantos ouvidos, nenhum presente, todos perdidos em suas euforias em busca de diversão. E eu, não me divirto? Ah! E como não! Observo e os vejo tão tolos que chego a rir da situação.
Não me encaixo nas conversas, nem curtos suas musicas. Sou aqui só mais uma peça, um acessório que se contenta em dizer que não está em um salão vazio.
Há só um olhar que me compreende. Seu amor, sua amizade, faz com que eu me sinta menos só.
Aqui, nada me acrescenta a não ser um sorriso verdadeiro daquele que sempre que pode vem estender-me a mão e lembrar-me de que neste mundo eu nunca estou sozinha… Pois, há muitos anos, temos um ao outro.
O que nos une é mais intenso que apenas um laço de sangue: infâncias roubadas, juventudes perdidas, dores compartilhadas.
Por sermos tão diferentes nos tornamos tão iguais… Somos dois e também apenas um, pois eu não vivo sem que esteja sempre ao meu lado a melhor parte de mim!
Um dos únicos homens para quem não me envergonho nem temo declarar o meu amor.
Nada, ninguém nos separa. Estarei sempre ao seu lado e me lembrarei de tudo o que tem feito de bom. Não para retribuir, mas para fazer mais (muito mais) por ele do que eu faria por mim.